Rifa de medalha, camisa temática… Paulista confia em volta às origens e em sua torcida para superar crise

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da betsul: O sonho de traçar um horizonte melhor para o Paulista nos gramados passa por um resgate à sua história. O Galo da Japi, que completa 111 anos neste domingo, promoveu (em conjunto com seus torcedores) uma série de ações para tentar sanar seus graves problemas financeiros. O que mais chamou atenção foi o anúncio da rifa de uma medalha da conquista mais importante da história do clube: a Copa do Brasil de 2005.

– Em meio ao acervo que estava no clube, encontramos medalhas que eram da Copa do Brasil. Achamos que seria uma forma de contribuir financeiramente para que o Paulista consiga melhorar as finanças. O Paulista tem um rombo financeiro, uma situação bem difícil – afirmou o conselheiro Rodrigo Alves, ao LANCE!.

Com cem números a R$ 10 cada, o objetivo das rifas é arrecadar R$ 1 mil para o Galo de Jundiaí. Porém, a lembrança do título obtido na decisão contra o Fluminense, em São Januário, não foi o único momento de mobilização entre o clube e a torcida.

– Nossa ideia foi elevar a autoestima do torcedor, que sofre com a grave situação financeira e com a equipe não indo bem em campo. Fizemos um lote de camisa dos 111 anos de fundação do clube. Neste período de pandemia do novo coronavírus, fizemos máscaras com o escudo do Paulista. A torcida está apoiando. É uma forma de manter o clube ativo – disse Fernando Drezza, um dos torcedores que estão à frente deste movimento.

No sábado passado, no Estádio Jayme Cintra, foi um vendido um lote de máscaras contra COVID-19 temático (custando R$ 5 a unidade e com três opções diferentes). O Galo da Japi ressaltou que adotaria medidas de precaução, como solicitar que torcedores comparecessem de máscaras ao local e mantivessem um distanciamento seguro na fila.

Quem fosse ao Jayme Cintra também poderia adquirir as camisas comemorativas do aniversário do Paulista caso desembolsasse R$ 120.

DESAFIOS FINANCEIROS E A ESPERA POR UMA NOVA GESTÃO

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da pixbet: Mesmo com a adesão dos torcedores de Jundiaí, o clube lida com uma sucessão de empecilhos para se reerguer. A começar por sua gestão: em 25 de abril, Rogério Levada entregou uma carta de renúncia, na qual afirmou que não poderia conciliar sua rotina como corretor de imóveis com a presidência do Paulista.

O mais cotado para sua sucessão é Rodrigo Alves, que tem em seu histórico o fato de já presidir a organizada Raça Tricolor. Ele não mede palavras ao falar sobre os problemas que assolam o Galo.

– A gente calcula que hoje o Paulista tem R$ 60 milhões em dívidas, a maioria dela na área trabalhista, mas muito em questões como área tributária, contas antigas… As gestões mais recentes do Paulista como sociedade limitada trouxeram muitas sequelas aos cofres do clube – e detalhou:

– A mais recente parceria, com a Kah Sports, funcionou muito bem no ano passado, quando levaram o time ao título da Série B1 (Quarta Divisão do Paulista), ao lado daFut Talentos. Mas, na Série A3, quando o futebol ficou só com a Kah Sports, deu tudo errado – completou.

O conselheiro detalhou o que projeta para o clube.

– Bom, eu não sou empresário, mas estou disposto a herdar esta situação do Paulista. Meu objetivo é formar um conselho mais forte, no qual inclusive possa ter uma ajuda também do Rogério Levada e de ex-jogadores. O Estádio Jayme Cintra também tem potencial para ser mais utilizado em eventos – e destacou:

– É hora de resgatar a dignidade do clube. Também quero a reaproximação ainda maior com ex-jogadores – completou.

Neste domingo, às 10h, haverá uma “live” com ex-jogadores do clube como Nenê, Baitu, Edu Lima, Umberto, Rafael Bracali, Izaías, Julinho e Alan Mineiro.

PANORAMA DESAFIADOR NA SÉRIE A3

A paralisação da Série A3 do Paulista, em virtude da pandemia do novo coronavírus, acentuou os apuros pelos quais passa o Galo da Japi. Na última colocação (a cinco pontos do Primavera, primeira equipe fora da zona de rebaixamento), a equipe tende a lidar com os efeitos colaterais de contrato.

– Muitos atletas pediram baixa da documentação e não devem retornar quando a Série A3 voltar, pois não estão com direitos vinculados ao Paulista. Nosso início foi muito ruim, somamos só um ponto em seis jogos, por isso decidimos mudar tudo – afirmou Rodrigo Alves.

Além do fim da parceria com a Kah Sports, o técnico Edson Fio foi demitido em fevereiro. Atual comandante do Galo da Japi, José Francisco de Oliveira detalhou como foi lidar com a situação da equipe.

– Chegamos em uma transição, inclusive na diretoria do clube, o que afeta demais o elenco. Aí, começaram a chegar algumas opções e reagimos bem, fizemos seis pontos em seis jogos. Resta ver como vai ser depois que a pandemia passar, pois são poucos jogadores que têm contrato mais longo com o Paulista – mas ressaltou o otimismo:

– Por mais que nossa luta seja para não cair, a reta final será de muitos confrontos diretos. Não só podemos sair das últimas colocações, como pensar em estar no G8 (que credenciaria a equipe às quartas de final) – complementou.

Dos 11 jogos até agora, o Paulista obteve apenas duas vitórias e somou sete pontos. Seu ataque chama atenção negativamente: só balançou as redes seis vezes.

‘FALTA UM APAIXONADO ASSUMIR A GESTÃO’, DIZ EX-JOGADOR

Um dos representantes do time campeão da Copa do Brasil de 2005, Fábio Gomes vê com lamento a situação que o Paulista enfrenta. Aos seus olhos, o clube parou de cuidar do futebol como um todo.

– Faz tempo que o Paulista convive com esta situação complicada. Anteriormente, o clube revelava até 12 atletas da base, algo que contribuía muito não só em campo, mas também para o poder aquisitivo, porque depois havia condições para investimento em uma estrutura boa – e destacou o que fez a diferença na campanha histórica no torneio:

– Nosso time chamava atenção por ter muita gente formada no Paulista. Aquela geração que tinha Márcio Mossoró, Léo, (Anderson) Batatais, eu, éramos muito unidos. O (técnico na competição, Vagner) Mancini foi muito importante para nós também – completou.

Além de vencer o Fluminense na final, o Galo da Japi desbancou pelo caminho rivais como Botafogo, Internacional e Cruzeiro. No ano seguinte, a equipe foi eliminada na primeira fase da Copa Libertadores, mas chamou atenção ao derrotar o River Plate por 2 a 1.

Com a vivência de quem guardou boas lembranças na equipe, Fábio Gomes aponta qual deve ser o caminho para o Paulista se reerguer.

– Falta uma pessoa apaixonada para assumir a gestão do clube, que esteja empenhada em ver a instituição crescer. Em um momento difícil, o caminho tem de ser a base forte. Para subir, vender bem e garantir uma quantia de percentual de vendas – disse.

Em seguida, o ex-jogador destacou como tem sido o convívio com pessoas ligadas ao clube.

– O (Rogério) Levada havia liberado mais nossa passagem, estava trazendo mais a gente. As coisas estão se ajustando – afirmou.

DAS MUDANÇAS DE NOME AO DECLÍNIO: A SAGA DO PAULISTA

Fundado em 17 de maio de 1909, o Paulista teve suas primeiras décadas marcadas por campanhas discretas e oscilações entre divisões. Contudo, a década de 1990 trouxe um divisor de águas para a equipe ao adotar o modelo clube-empresa.

Após a parceria com a empresa de fios e cabos elétricos Lousano ser selado, o time de Jundiaí passou a se chamar Lousano Paulista e obteve bons resultados: tendo Toninho Cerezo e Edu Lima, a equipe foi bem na Série A3 e obteve o acesso em 1993. Pelo clube, ainda passou posteriormente o hoje comentarista Casagrande.

Porém, a grande glória como Lousano Paulista veio na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1997. Após empatar em 1 a 1 com o Corinthians no tempo normal, a equipe derrotou o Corinthians por 4 a 3 nos pênaltis e promoveu nomes como o zagueiro Umberto e o meia Ranieri, além do autor do gol, Neno.

Ao fim da parceria, em 1998, um acordo com a Parmalat “rebatizou” o clube para Etti Jundiaí. O primeiro título foi a Copa Estado de São Paulo (hoje, Copa Paulista) em 1999. No ano de 2001, veio o título da Série A2 do Paulista.

– O que contribuía para a gente era o fato de termos um time muito mesclado. Havia uma geração formada em Jundiaí, mas contávamos com a experiência de um cara como o Luiz Carlos Goiano, do Vagner Mancini, que eram fundamentais – declarou.

Entretanto, a parceria inicialmente prevista para 30 anos chegou ao fim abruptamente em 2002, devido a atritos da diretoria do clube com a Parmalat.

– Quando a Parmalat saiu, não tinha deixado dívida nenhuma. As contas estavam em dia – disse Fernando Drezza.

Após um período se chamando Jundiaí, o Galo da Japi voltou a se chamar Paulista e enumerou boas campanhas. Foi finalista do Paulistão de 2004, conquistou a Copa do Brasil de 2005 e esteve perto de chegar à elite nacional: foi sexto da Série B em 2006.

Porém, o clube degringolou depois de 2007. A parceria que o presidente Eduardo Palhares fez com a Campus Pelé (fundo europeu gerido pelo Grupo Fator e que contava com conselhos do “Rei do Futebol”) iniciou um declínio desastroso. O Galo da Japi caiu para a Série C em 2008, foi para a Série D em 2009 e, após flertar com o descenso no Paulista, não obteve vaga na Quarta Divisão em 2010.

Quatro anos depois, os sucessivos descensos começaram a vir no Paulistão. Depois de, em 2014, cair para a Série A2 e o insucesso em um projeto financeiro, a queda livre continuou a acontecer.

No ano de 2016, o Galo desceu para a Série A3. Em 2017, o Paulista amargou o declínio para a Série B1 da competição. Após ter subido um degrau no cenário regional em 2019, não retroceder é a árdua luta do clube.

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